segunda-feira, 14 de novembro de 2011

take me to the place i love

Pés úmidos na areia seca e quente. Era a cena de um final feliz. Pulava de um lado para o outro, tentando, inutilmente, fugi da secura daquele dia. Queria manter seus pés do mesmo jeito.
Não havia muita opção, pois, naquele momento o trajeto que sua vida percorrera até então havia levado para ela ou por ela, conchas infinitas do mar salgado e quente.
Quero correr. Pensava. Mas a secura da areia fazia de seus pés duas pedras fincadas ao chão, que somente com grande esforço se moviam. Morreria tentando correr, então, resolveu ir conforme o mandamento.
Um pé depois do outro, diante da mar de fogo e de água, separados por pedras que espetavam o ar.
Tinha nos olhos a mistura do calor da terra e da umidade do mar. Sereia, sim. Mas não sabia nadar.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Peanut

Como me explicar? As vozes me sobrepassam, julgando o fato de continuarmos atentos a nós e apenas isso, no mais profundo sentido de sermos, importa. Como pode todo esse medo da distância infra vermelha, por segundos, nos pegar no flagra? Somos dois e não importa mais se somos ou não um só, porque, sinceramente, somos eu + você e então já não me importa onde começamos ou esquecemos de introduzir a bela introdução de praxe.
Eu quero continuar existindo, seja lá para o que for, em você. Não me abandone ou pense em deixar. Somos muito mais quando somos só eu e você.
Perguntas são melhores entendidas quando não feitas, mas as respostas, ah as respostas devem ser esclarecidas, mesmo quando não há nada para se esclarecer.
Medo de perder. Medo de esquecer. Medo de não sermos mais. Pra o que der e vier. Eu, você, duo.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sobrenatural

Palavras que voaram quando menos esperava. Olhares ditraídos pela multidão e somos 4. Pares que ninguém percebe a profundidade de sermos só eu, você.
Sinto meu coração acelerando como se fosse para nunca mais reduzir e há um riso nisso. Há uma expectativa. Todas cumpridas. Todas perfeitamente enlaçadas.
Longe, eu não me sinto como se já te conhecesse o suficiente. E então a proximidade, o toque, o conforto faz parecer anos luz de experiência sobrenatural.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Feel the beat

Comece de novo. Do começo. Do princípio. Bote todos em seus devidos lugares e deixe as cortinas se abrirem.
Dizem vá, siga, mas quando não se dá um passo em direção á luz, não precisa ser o fim e não é.

Eu quero a paz do que é estar ali. Eu quero a emoção de sentir que o mundo é meu por instantes.

Eu desisti de você por tempo demais. Vou voltar atrás.


FEEL THE BEAT

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Inesgotável

O que fazer com essa parte que não te dei?
O que fazer para permanecer intacto tudo aquilo que sonhei?
A vida nos percorre e por caminhos estranhos demais para prosseguir sem ao menos desejar evitar o inevitável.
Permanecemos, então.
Meu lado vazio, seu lado inesgotável.
_

Segurei sua mão meio aquela confusão de reflexos acusadores.
Sibilei um juramento por entre as vozes descabidas e molhei meus lábios nos teus.
Pra sempre, pensei.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

7

A fantasia real que criastes para ser sentida com os ossos da pele corroída com o tempo, com as marcas de homem do mundo não me deixaram a sós para descansar. Os seus desejos explorando as cavidades explosivas do eu interior habitado, ou a falta do mesmo em qualquer lugar e novamente, que seja. Partes de mim, ou quiçá também partes de você, fundiram-se todas no sentido absoluto de existência, de realismo, de subsistência dos fatos.
Perco a necessidade do supremo e teimo em seus cartazes de erudito exposto. Percorra meus abismos, mas não me deixe a beira de um.

Boneco de Palha ou não, 7 é o suficiente para mim.

domingo, 7 de agosto de 2011

Terra

A vida seca de um lado do horizonte. Pedaço por pedaço. Cai aos prantos na terra enfeitada de cheiros e rituais místicos, soa desgosto por ser o que é: chão.
Pés descalços, unhas atoladas na secura das gotas pobres que lhe inflam a testa, os lábios. E passo por passo, segue a direção do norte, ofuscando qualquer urubu que ouse pousar em sua natalidade. Era maior, seguro de si, da morte, da vida, dos trajetos que o levariam até o descaso. Por enquanto, ainda era Homem.
O sol desapareceu vagamente e ele conseguiu ver suas estrelas. Revirou os olhos e caiu morto. Agora, era homem morto.